sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Estrada





Devagar caminho
Dia por dia feito ano
Grão por grão feito deserto
Gota por gota feito oceano
Devagar caminho
Manhã por manhã feito tarde
Giro por giro feito ciranda
Curva por curva feito cidade
Devagar caminho
Planta por planta feito floresta
Nota por nota feito maestro
Letra por letra feito poeta
Devagar caminho
E os sinais comandam meu coração-guia
Nessa estrada incerta
Meu destino é reta
Meu acaso é seta
Devagar caminho

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Olhos meus



Mais distantes do céu que eu

Porque acalento o céu com os olhos

E olhos meus

Arranha céu






quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Poemiometria



Meus olhos fita métrica
Medem o quanto um poema alcança
E os meus dedos leme
Navegam nessas águas
Procurando, procurando....
Um poema pra medir
Mas ainda não sei o tamanho
Pois poema não tem fim, poema é infinito
E até hoje minha poemiometria
Desconhece o alcance da palavra em mim

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Plenitude



A incompletude me rega, me alimenta.
Falta um livro para ler, uma música escutar, um poema a escrever.
A resposta que não foi dada e também aquela que não dei e sempre me sinto incompleto.
Talvez o preenchimento desse vazio, torna-se-ia algo negativo e deixaria a vida sem grandes emoções.
O prazer de caminhar é a procura eterna do que nos completa mesmo sabendo que a plenitude sempre trará um novo tesouro em novos mapas e sempre estaremos escavando a vida.
E a falta de hoje não será a mesma de amanhã, dando espaço a uma nova ausência.
Pois sempre me falta, sou eu a minha falta e o meu melhor habitat.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Tentar




Eu só quero escrever....
Letras que você leia, desse poeta sem mão cheia, que acena para ti.

Eu só queria te dizer....
Que hoje eu sei o que te anseia e ainda entendo volta e meia essa ferida que te fiz.

E também sei que você leu....
Aquele texto sem poema, que era apenas meu dilema e que já foi do seu pená

Talvez queria entender....
O motivo da ternura, se mostrei me na armadura enredada de quebrar.


E se um dia ainda me ver....
Recordaremos nosso dia, que fizemos poesia com o meu e seu caetanear.

Eu só queria reeguer....
Algum laço de amizade, mas quiçá já ficou tarde, enobreci com meu tentar.

domingo, 5 de julho de 2009

São João ?




Cadê tu balão?
Fogueira?
Canjica?
Santo João?

Foi num pincel bordão.
Que acenderam a sua estrela, e trouxeram o fevereiro e o carnaval da capitá.
E nessa contra mão.
Quem vai limpar essa sujeira e sacudir essa peneira, pra encontrar essas migalhas que sobrou de arraiá?

E nesse São João....
A sua sanfona andou de ré.
O seu Chapéu virou boné.
E lá se foi o rasta pé.

Ô meu São João!
Eu lamento pelos cantos, desse engodo desencanto que é ocê virar axé.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Mundo Mistério







Quem é capaz de compreender esse mundo e seu caminhar oriundo da mais bela interrogação?
Talvez no meu absurdo, eu acredite em tudo que os livros me contam em alto e bom tom.

O moço onisciente, faz que sabe de tudo e dialoga profundo pra tentar me convencer.
Porém o aviso astuto, pro inteligente matuto, poder parar com isso tudo e conseguir entender que o seu "nada sabe" é mais sábio que o seu "sabe muito".

Pra não cansar desse mundo, ele me traz todo dia, questionamentos agudos, que não posso entender.
O que seria de mim, se fosse um ser carrancudo e não amasse essa glória que é de nada saber?